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08/02/09

Antonio is ...


"Life is no straight and easy corridor along which we travel free and unhampered, but a maze of passages, through which we must seek our way, lost and confused, now and again checked in a blind alley.

But always, if we have faith, a door will open for us, not perhaps one that we ourselves would ever thought of, but one that will ultimately prove good for us."

A. J. Cronin (1896-1981)

06/10/07

A Carta II

Meu Senhor, sabe-se que o Capitão-mor desta Vossa frota amiúde novas tem escrito mas “não deixarei de também dar disso minha conta a Vossa Alteza, assim como eu melhor puder, ainda que – para o bem contar e falar – o saiba pior que todos fazer! Todavia tome Vossa Alteza minha ignorância por boa vontade, a qual bem certo creia que, para aformosentar nem afear, aqui não há de por mais do que aquilo que vi e me pareceu. E portanto, Senhor, do que hei de falar começo.”

Chegamos a esta Vossa terra nova, como Vossa Alteza sabe, dois anos atrás no dia 6 de Outubro do ano de 2005. Desde então, muitas cosas se acharam e a acalmia por aqui nos tem mantido. Alguns nos têm seguido e, como me é dado ver e parecer, bem-vindo sejam aqueles que vêm por bem. O senhor feudal desta ilha continua a olhar-nos de feição e terras, pão, vinho, mulheres e cartas régias nos têm sido dadas e, quando as monções sopram a favor, lá vamos bolinando pelos mares destas ilhas. Aos poucos o novo idioma se entranha e os nativos se aproximam sem temor. Novas plantas, animais e produtos se acharam mas, por estranho que soe, muitas dessas plantas e animais também se acham em Portugal (diz-se que fruto de migrações de tempos idos). As oportunidades continuam a borbulhar e, se há as que se perdem, também há as que se agarram. Este seu servo quase de tudo tenta aprender e, agora que o Inverno se avizinha, por aqui iremos fundear com a graça do Senhor.

Beijo as mãos de Vossa Alteza.

Deste porto seguro, da Nossa ilha de Cipango, hoje, Sábado, sexto dia de Outubro de 2007.

António Rebordão

Post-scriptum: O primeiro parágrafo contem um excerto da Carta de Pero Vaz de Caminha.

05/10/06

A carta I

“Senhor, posto que o Capitão-mor desta Vossa frota, e assim os outros capitães escrevam a Vossa Alteza a notícia do achamento desta Vossa terra nova, que se agora nesta navegação achou, não deixarei de também dar disso minha conta a Vossa Alteza, assim como eu melhor puder, ainda que -- para o bem contar e falar -- o saiba pior que todos fazer! Todavia tome Vossa Alteza minha ignorância por boa vontade, a qual bem certo creia que, para aformosentar nem afear, aqui não há de pôr mais do que aquilo que vi e me pareceu.

E portanto, Senhor, do que hei de falar começo:”

Embarcamos na Portela, como Vossa Alteza sabe, dia 5 de Outubro do ano de 2005. Fizemos-nos aos céus há 365 dias e, graças a Deus até ao dia de hoje, os ventos foram de feição e o passar dos cabos não levantou problemas de maior. Quinta Feira, 6 do dito mês, nos achámos em Tóquio e por aqui andamos em calma desde esse dia.

Tanto o Governo desta ilha como o Senhor feudal que nos acolheu em muito boa conta nos têm. A sua generosidade tem sido imensa e "mulheres, pão e vinho" nos têm sido oferecidos. Terras Novas, nativos de todo o mundo, comida exótica e um espanto quase-que-diário fizeram parte deste ano que passou e dos outros que hão-de vir. Mas se houve intensidade, também houve a que não se viveu e é assim que iremos estar atentos e dinamizar em seu prol.

Beijo as mãos de Vossa Alteza.

Deste porto seguro, da Nossa ilha de Cipango, hoje, Quinta-feira, quinto dia de Outubro de 2006.

António Rebordão

Post-scriptum:
O 1º paragrafo faz parte da Carta de Pero Vaz de Caminha aquando da descoberta do Brasil.

12/02/06

Obrigado Senhor!

As Universidades Japonesas formam uma cordilheira montanhosa cuja missão se baseia na busca e na partilha do conhecimento - o pico mais alto chama-se Universidade de Tóquio. Para muitos nativos o sonho de uma vida é escalar até ao cume, os felizes eleitos começam, muito jovens ainda, a preparar-se para tal.

Um punhado de estrangeiros aceitou o repto da escalada. Com o alto patrocínio do governo Japonês busca-se a vertigem de passar para o lado de lá das nuvens.

Instalámos a 1ª base no sope da montanha e durante 4.5 meses por aqui ficámos. Explorámos os arredores, adquirimos vivências, intoxicámo-nos com sonhos conscientes, aprendemos Japonês e o corpo lentamente se habituou à mudança de ares.

No dia 5 de Fevereiro avistámos a 2ª base mas tínhamos pela frente dois exames - um de Álgebra Linear, Probabilidades e Equações Diferenciais e um outro de Redes Informáticas, Circuitos Electrónicos, Algoritmos e Arquitectura de Computadores. O ar rarefeito obrigou-me a usar oxigénio mas não deixei de acreditar e, pé ante pé, por fim encontrei os 5 guardiões da porta. No dia seguinte sentei-me a uma mesa austera e os 5 Professores interrogaram-me para saber se eu estava apto a entrar. Acreditei em mim e defendi o sonho até que soube que tinha sido admitido no Mestrado do Departamento de Information and Communication Engineering - Faculdade de Information Science and Technology.

A subida vai ser dura e precisamos de nos preparar, se tudo correr pelo melhor vamos permanecer na 2ª base até Abril de 2008.

O sonho continua!

Post-scriptum: Leiam os poemas que encontram neste blog e acreditem nos vossos projectos.

01/04/05

Foi assim que tudo começou...

Num dia quente de Julho, recém-chegado da Polónia, aconteceu uma daquelas flutuações no espaço-tempo que mudam o devir. Estava eu a caminho da Biblioteca da UBI, quando encontro o Miguel Catita (MC) a caminhar na direcção oposta. Embora o apelo dos estudos (fase terminal da época de exames) se fizesse sentir, MC aceitou o convite para uma "Super Bock", acompanhada por uma amena cavaqueira, e lá fomos para o Bar Oitavos. Acabámos os dois na biblioteca a partilhar conhecimentos de programas de internacionalização, sonhos e afins. O verão Português tem destas coisas...

MC voltou a mencionar o programa Monbukagakusho. Lembrava-me vagamente de ter visto, no ano passado, cartazes alusivos a esse programa. Pensei para comigo: Japão? Porque não?! Foi assim que aceitei o desafio. Até onde conseguiria chegar?!

A miríade de documentos (traduções, cartas de recomendação, carta de aceitação, analises clínicas, atestado médico, etc.) que a candidatura exigia, fez-me entender que se exigia um verdadeiro espírito Samurai. Obstáculo atrás de obstáculo, foi-me possível, em duas semanas intensas, preparar a candidatura. Depois de uma noite passada em branco e de uma corrida ininterrupta entre o Intendente e o Martim Moniz, 5min antes de terminar o prazo de entrega dos documentos, pingando rios de suor, entrei esbaforido na Embaixada Japonesa com a minha candidatura na mão. Foi assim que tudo começou...