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08/02/09

Antonio is ...


"Life is no straight and easy corridor along which we travel free and unhampered, but a maze of passages, through which we must seek our way, lost and confused, now and again checked in a blind alley.

But always, if we have faith, a door will open for us, not perhaps one that we ourselves would ever thought of, but one that will ultimately prove good for us."

A. J. Cronin (1896-1981)

02/10/06

O Ser Budista

Monges Budistas em Chiang Mai, Tailândia - Agosto 2006
No SE Asiático os monges budistas preenchem as ruas com o colorido das suas túnicas e a simplicidade dos seus sorrisos. As suas cores acompanham-nos por todo o lado e são respeitados pela sociedade. O seu modo de vida é simples e, teoricamente deviam sobreviver apenas com as oferendas dos crentes. Dedicam os dias à meditação e rotina do templo/mosteiro onde vivem.

Para muitas crianças a via religiosa é uma das poucas formas de obter educação e comida. Há também países (e.g. Tailândia) onde os homens devem cumprir 1 mês de serviço religioso, podendo extender esse período indefinidamente até que decidam voltar a ser homens mundanos. Ao despontar do dia, saem de malga-das-almas na mão para recolherem comida e outras oferendas (conferindo místicimo às manhãs). Visitar os templos, observar a descontração dos monges e escutar os seus cânticos também não nos deixam indiferentes.

Post-scriptum:
O Budismo é uma filosofia baseada nos ensinamentos de Siddhartha Gautama (Século VI a.C.). Divide-se em 3 ramos (Theravada, Mahayana e Vajrayana) e promove a descoberta (em cada indivíduo) da essência que está por detrás de todas as coisas. Para atingir esse estádio de esclarecimento são necessários muitos anos de meditação, virtude e boa conduta. Aqueles que o conseguem tornam-se Budas (os esclarecidos).

06/07/06

Tanabata

Uma prendada donzela chamada Orihime e o jovem Kengyu viviam nas margens de um grande rio.

Como em tantas outras estórias eles apaixonaram-se intensamente e viviam exclusivamente um para o outro. Com tanto namoro deixaram de lado as tarefas e obrigações diárias e o pai de Orihime (Senhor Celestial) decidiu castigá-los pela sua irresponsabilidade. Foram condenados a viver em margens opostas e apenas podiam encontrar-se uma vez por ano, ao 7º dia do 7º mês lunar.


Nesta lenda Japonesa o grande rio é a Via Láctea e Orihime e Kengyo são as estrelas Vega e Altair, respectivamente. Esta é a lenda que sustenta o festival Tanabata (comemorado desde 755 AD). Crianças e adultos escrevem poemas de amor; desejos de saúde, de prosperidade e de riqueza em papeis coloridos que penduram em altos bambus com que enfeitam parques, ruas e praças.

Post-scriptum:
É fascinante a forma como o Homem interpreta o meio ambiente através dos mitos. Realmente é ao 7º mês lunar que no hemisfério Norte, brilhando intensamente no firmamento e separadas pela Via Láctea, se encontram as estrelas Vega e Altair. Hoje em dia a ciência explica e desmistifica os mistérios que nos rodeiam. Acredita na lógica e na ciência! O mito já não convence!

04/03/06

O culto

Preenchi uma tarde chuvosa deambulando por Kasumigaseki. Uma zona de escritórios pontuada por salarymen em movimento, alguns templos e cemitérios. Os arranha céus impõem-se e fazem-nos esquecer que os templos precederam a urbanidade actual.

Explorei os jardins de 2 templos Xintoístas e, fugindo da chuva, abriguei-me num dos grandes templos Budistas (Zõzõ-ji) da área. O cântico febril de 2 monges e o rufar dos instrumentos de percussão convidaram-me a entrar. Encontrei-me então num local amplo e escuro onde meia dúzia de crentes se envolviam em preces e no intenso cheiro a incenso. Um som ensurdecedor ecoava por entre as colunas vermelho lacre à medida que os monges convergiam para o transe religioso. Dois Budas laterais ladeavam o altar principal onde um outro Buda assistia impávido a contemplação dos crentes e, do interior do templo, chegava-nos o soar dos gongos e a indicação de cerimónias misteriosas que não nos era permitido presenciar.

Subitamente os monges retiraram-se, e o silêncio instalou-se, passados breves instantes regressaram na companhia de um outro sacerdote. Solenemente ocuparam posições junto ao Buda central e, de costas viradas para os 11 crentes presentes, iniciaram um serviço religioso. Crentes e sacerdotes envolveram-se no transe dos cânticos, no soar dos gongos e na deferência das vénias. Eu, embriagado pelo cheiro, com o coração apressado pelos sons, repousava o meu olhar na simplicidade e elegância do local, no dourado dos altares, no vermelho lacre das colunas e na peculariedade do evento.
Fonte da purificação num dos templos Xintoístas de Kasumigaseki

08/01/06

2006 - Ano do cão

Chegou o momento do fiel companheiro: 2006 é o ano chinês do cão.

O Ano novo é uma das grandes festividades do Japão: durante 6 dias o mundo do trabalho foi esquecido (juro!) e apenas os serviços mínimos se mantiveram a operar... As pessoas reuniram-se em família e visitaram os templos, na ânsia sempre renovada, de que este ano seja o tal.

Nos 3 primeiros dias de 2006, 93.5 milhões de pessoas foram aos templos. Segui a maré e foi em Meiji Jingu (o maior templo Xintoísta de Tóquio) que o novo ano me encontrou, fiz as minhas oferendas e preces com um sorriso, pois o meu ano do galo (2005) foi óptimo e sempre gostei de cães...

O retomar do trabalho foi gradual, o espírito de festa permaneceu ainda por mais alguns dias. Só assim se justificam as gravatas desalinhadas e a falta de equilíbrio de alguns, bem como aqueles outros que, de bagagens na mão, regressam ainda à capital.

Agora os comboios voltam a estar lotados e as ruas enchem-se dos sons e da azáfama habitual. A normalidade regressou. A Todos, Um Feliz Ano do Cão!

Post-scriptum: Normalmente a segunda lua nova a seguir ao Solstício de Inverno marca o inicio do Ano Novo Chinês. O Ano Novo inicia-se entre 21 de Janeiro e 19 de Fevereiro (este ano calha a 29 de Janeiro) e o ano Gregoriano de 2006 equivale ao ano Chinês de 4703. Ou seja, ainda estamos a tempo de ter uma segunda passagem de ano para 2006... :-)