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14/05/09

Oh Portugal, How Art Thou?

Houve um tempo em que Portugal foi sinónimo de tecnologia, modernidade e inovação. Por exemplo, foram os Portugueses que introduziram no Japão as armas de fogo, as operações cirúrgicas, as prensas mecânicas, as orquestras filarmónicas, etc.. O próprio vinho da Madeira fazia parte das prendas que o Almirante Perry ofereceu aos Japoneses e que representavam o melhor que a civilização ocidental tinha para oferecer. No entanto, hoje em dia, numa perspectiva geopolítica Portugal é um mero figurante e, salvo alguns casos pontuais, é triste ser um exemplo de uma nação falhada economicamente e educacionalmente. É triste ter uma população pouco instruída. É triste ter os salários que temos e é triste ter tantas pessoas incompetentes (ou sem ser por mérito) a ocupar cargos de poder. Portugal teve tudo para ser bem sucedido e foram estes os dividendos que obteve. Porquê?

Aqui vos deixo um excerto de um livro:

"Though an age of unease, of portents and consultations with the supernatural, there was still time enough for novelties, new sights and experiences. In 1863 an enterprising Portuguese businessman exhibited an Indian elephant in the Ryogoku district, causing much excitement. The creature was depicted in countless prints, with text describing its size, history and eating habits."


pp. 85 de "Tokyo, a cultural and literary history"
por Stephen Mansfield

29/01/08

Há sempre espaço para + um (parte II)

A rede de transportes de Tóquio transpira energia, eficiência, pontualidade e higiene. Um polvo monstruoso que espalha tentáculos gigantes nos quais multidões circulam incessantemente de um lado para o outro (só na estação de Shinjuko são 3.31 milhões diários).

A hora de ponta, amada por uns e odiada por outros, é um ritual mecanizado das massas que, ao sabor das chegadas dos comboios e em espamos repetitivos, enchem as estações de formigas humanas num fervilhar constante que culmina nos comboios da meia-noite (lotados 3 ou 4 vezes acima da capacidade máxima recomendada). Nestas ocasiões, entrar no comboio/metro é uma técnica elaborada em que físico e espírito trabalham juntos. Imbuídos numa espiritualidade Zen, desligamos-nos do corpo para que este fique fluido e ai será possível entrar e ocupar algumas áreas vazias (mesmo quando estas quase não são continuas).

Escrever e-mails em ombros vizinhos, ler junto a peitos estranhos e um mar de gente que sai do comboio ao abrir das portas depressa se torna parte do quotidiano. O saber movimentar-se dentro da estação também se aprende com o passar do tempo e isso permite-nos aproveitar o ímpeto e a direcção da multidão já que, por vezes, perde-se um comboio por uma questão de segundos (o que implica esperar 3, 5 ou 7 minutos). Parar e/ou entrar em contra-mão implica emoções fortes e fica sempre bem facilitar os últimos metros daqueles que estão dispostos a saltar para uma porta de comboio quando esta se está a fechar.

Post-scriptum: às 21h os comboios estão calmos, como podem observar nas fotografias, pois a hora de ponta já passou. Na hora de ponta, ai sim, é necessário que as pessoas viajem compactadas e é nessas alturas que os empregados da estação, de luva branca, nos ajudam a entrar e até nos fecham a porta...

O supra-sumo da experiência é o Expresso da Meia Noite às Sextas e Sábados, mas é difícil descrever tamanha surrealidade. [1][2]

30/01/06

O Expresso da Meia-Noite

Na hora do lobo (00:00h) os comboios PARAM o seu vaivém, e os noctívagos perguntam-se: Vamos no Expresso da Meia-Noite ou no Comboio da Manhã?

Às Sextas-Feiras e aos Sábados, ao soar a meia-noite, os que escolhem a primeira opção abandonam a lascividade dos neons. Das Mecas do Prazer parte então o Expresso da Meia-Noite. Onde se transgridem os limites da capacidade, e a soma do volume das partes parece superior ao volume do todo. Os corpos quase que se fundem uns nos outros... Misturam-se cheiros, falas, risos e mãos atrevidas, naquele que é o comboio mais ruidoso da semana.

Nos dias de semana o Expresso da Meia-Noite é apenas um comboio de gente exausta e de olhar vazio. Pessoas apáticas de tanta fadiga, e Salarymen (ver nota) alcoolizados que regressam a casa para algumas horas depois fazerem o percurso inverso. E' um bando de gente cansada e calada que nos faz crer que esta cidade cansa...

Post-scriptum: Salarymen é o nome pelo qual são conhecidos os "homens que executam um emprego de colarinho-branco", e que costumam tem a responsabilidade económica do agregado familiar exclusivamente a seu cargo. Vestem-se todos de igual (fato clássico, gravata, cachecol, sobretudo e mala preta), trabalham que se desunham e adormecem facilmente nos comboios.

29/12/05

Há sempre espaço para + um!

O passar dos comboios - Odakyo Line 22/12/2005

Rezam as estatísticas que 20 milhões de pessoas circulam diariamente nesta Metropolis. As multidões, num constante fluir mecânico, deslocam-se de bicicleta e de Transportes Públicos: Cidadãos anónimos, presidentes de bancos e estudantes em uniforme seguem o seu fado de formigas humanas - com o olhar em frente, num passo rápido e decidido, pois não há tempo a perder na sua rotina laboral.

Este movimento sustenta-se num exercito de Táxis e autocarros, numa imensidão de bicicletas, em 13 linhas de Metro e numa fantástica rede ferroviária. Febril, pontual, caótico, eficiente, moderno e sobre-lotado, são termos que poderíamos utilizar para descrever os transportes públicos de Tóquio. Mas não há nada como um exemplo:

Normalmente saio de casa pelas 7h50min, de bicicleta vou até à estação do bairro, onde me coloco ordeiramente na fila. De 3 em 3 minutos um comboio pára, a fila avança e quando chega a minha vez sempre me pergunto - "será que consigo entrar?" Em Roma sê romano e é assim que entro de costas, furando a multidão, outras pessoas seguem-me e admiro-me por não ter sido o ultimo. Se alguém fica entalado na porta, empregados de luva branca ajudam-no (empurrando-o) a entrar. O mote é "Há sempre espaço para mais um!" Durante 20 min os corpos confundem-se, nunca sabemos com precisão onde acaba o nosso corpo e começa o dos outros. Se for possível erguer o braço, com o livro ou com o telemóvel no ombro do vizinho, aproveita-se para ler um pouco ou escrever uns emails. Outras pessoas, conscientes de que o dia será longo, cerram as pálpebras e entram em standby. Há também aqueles que dormem (sentados ou em pé) pois o comboio é a sua segunda cama. Mudo para o Metro, as multidões vão diminuindo e termino a minha rota caminhando
pela universidade. No total demorei 1h10min. Á noite espera-me o caminho inverso, no regresso a casa.

Posso contar o meu percurso mas não consigo descrever a emoção de avistar, ao anoitecer, o Comboio Bala por entre os arranha céus de Shinjuku, num cenário futurista adequado a um Blade Runner. Pensamos no futuro, e a custo nos apercebemos que o futuro é já presente.

18/10/05

A sanita vanguardista

No Hirose & Minematsu Lab. apenas pactuamos com tecnologia de ponta. Acabo de regressar de mais uma experiencia avassaladora - a sanita vanguardista!

O tampo aquecido conforta a intimidade do momento, os jactos de agua quente (devidamente dirigidos a partir de 3 ângulos distintos) apaziguam mente e corpo. Para aqueles que gostam de ler há uma lâmpada, e os internautas, desde que devidamente munidos com o seu laptop, podem surfar pela web sem terem de se levantar da sanita (há acesso Web via Wireless). Para os mais básicos, como eu, lá nos vamos entretendo com o menu da sanita e com os jactos de agua. Há sanitas assim...