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08/10/08

Poema XI

Não invejo a quem tem
Carros, parelhas e montes
Só invejo a quem bebe
A água em todas as fontes

(...)


Minha alma já viu mil montes

Vales perdidos na serra
Só não viu pomares em flor
Iguais aos da nossa terra.
O mundo só pode ser
Melhor do que até aqui
Quando consigas fazer
Mais pelos outros que por ti

Excerto de "Oh rama, que linda rama", canção popular Alentejana

23/02/06

Poema VI

Bambus do templo Hasedera em Kamakura
Pelo sonho é que vamos,
Comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não frutos,
Pelo Sonho é que vamos.

Excerto do poema "Pelo sonho é que vamos"
Sebastião da Gama (1924-1952)

20/01/06

Poema V - É p'rá amanhã

É p'rá amanhã
Bem podias fazer hoje
Porque amanhã sei que voltas a adiar

E tu bem sabes como o tempo foge

Mas nada fazes para o agarrar

Foi mais um dia e tu nada fizeste
Um dia a mais tu
pensas que não faz mal
Vem outro dia e tudo se repete
E vais deixando ficar tudo igual


É p'rá amanhã
Bem podias viver hoje
Porque amanhã quem sabe se vais cá estar
Ai tu bem sabes como a vida foge
Mesmo que penses que está p'ra durar
(...)


É p'rá amanhã
Deixa lá não faças hoje
Porque amanhã tudo se há-de arranjar
Ai tu bem sabes que o trabalho foge
Mesmo de quem diz que quer trabalhar
(...)


Excerto da canção "É p'rá amanhã"
António Variações (1944-1984)

28/11/05

Poema IV


Vem, vamos embora,
que esperar nao e' saber
Quem sabe faz a hora,
nao espera acontecer

Refrao do poema/cancao
"Pra nao dizer que nao falei de flores"
Geraldo Vandré (1935 - ?)

23/10/05

Poema III - Estrela do Norte

Oh minha querida Estrela do Norte
que o passo continue iluminado pelo teu olhar,
que a poesia permaneça no trilho que percorro,
que o riso seja fiel companheiro e amigo

Oh minha querida Estrela do Norte
que bonito é estar por aqui,
cavalgando um cometa alado,
ter uma vida num dia só

Oh minha querida Estrela do Norte
nas entranhas da vida há riquezas sem fim -
sal, esmeraldas, safiras e carvão
Ricos filões por descobrir e trilhar!

Oh minha querida Estrela do Norte
que o bem-me-quer também murcha,
Quantos não murcharam já?!
ai então, ajuda-me a encontrar outro jardim...

António Rebordão (1975 - ?)

30/09/05

Poema II

Eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento.
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.

Excerto do poema Pedra Filosofal
António Gedeão (1906-1997)

13/09/05

Poema I

Minha aldeia é todo o mundo
Todo o mundo me pertence
Aqui me encontro e confundo
Com gente de todo o mundo
Que a todo o mundo pertence

António Gedeão (1906-1997)