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30/04/08

Paixão

Aqui fica uma pequena amostra de uma paixão renovada diariamente e que se mantem há quase 3 anos.

11/04/08

Apanhados XVI

Juntinho à estação de comboio, dentro de Tóquio e a caminho de casa há um quintal que vale milhões. Nesse quintal há couves, maças e cenouras que são o entretem de quem amanha essa terra. Mas bonito de se ver é a vedação viva que envolve o quintal já que, há uma semana atrás, surgiram folhas novas que inebriaram de vermelho quem por ali passava. Com o passar dos dias o vermelho desfez-se em verde mas a façanha repetir-se-á numa próxima Primavera. Mantenhamo-nos atentos.

03/04/08

Goo


O olhar acutilante da Miss Japa não deixa ninguém indiferente e desta vez alerta-nos para uma eficaz campanha promocional Japonesa.

01/04/08

Aos fins de semana

Aos fins de semana as pessoas deixam os fatos sisudos em casa, vestem-se com as cores do arco íris e passeiam a sua cerveja. Assim é o dia-à-dia no parque de yoyogi-koen onde o que é estranho depressa deixa de o ser.

17/02/08

Iron Maiden no Japão

Os Iron Maiden são um dos ícones do heavy metal. Criaram uma marca própria que une várias gerações (dos 15 aos 60 anos) e misturam sabiamente coreografias épicas com energia e tecnicismo. Ao vivo são uma máquina oleada que não deixa ninguém indiferente e que traduz a experiência acumulada ao longo de 32 anos de carreira. Embora desde 1992 façam "mais do mesmo", a sua evolução técnica e as constantes tournées mantêm a chama acesa e saciam os fans.

Tóquio costuma ser palco regular das suas tournées e esta última (Somewhere back in time) passou por aqui nos dias 15 e 16 e, mesmo com o cartaz limitado aos Iron Maiden e com bilhetes a 60 EUR, os fans compareceram em força. Os Iron Maiden revisitaram os seus grandes hinos e presentearam os presentes com 2h de uma actuação musculada à qual o público aderiu entusiasticamente – cantando (sabiam as letras todas), pulando e com doses massivas de headbanging. Definitivamente o Eddie está vivo e de boa saúde!

Estas fotografias não têm qualquer tipo de pós processamento. Apenas usei o modo manual da máquina e demorei meio concerto até encontrar os parâmetros ideais.

10/02/08

Os ventos Mongóis

Os ventos Mongóis que fustigam o Sul da China amainam e chegam quase que cândidos a Tóquio mas, mesmo assim, as últimas semanas têm sido polvilhadas por esporádicos momentos branco farinha que me recordam fugazmente os tempos de Erasmus e os Carnavais da infância. Estas fotografias foram tiradas ontem à noite (9 de Fevereiro), a última resultou de uma exposição de 2 segundos.

03/02/08

Divulgação

A manhã deste Domingo veste-se de um branco abundante.

Post-scriptum: A fotografia deixa muito a desejar mas é o melhor que se pode obter a partir do conforto da janela cá de casa.

29/01/08

Há sempre espaço para + um (parte II)

A rede de transportes de Tóquio transpira energia, eficiência, pontualidade e higiene. Um polvo monstruoso que espalha tentáculos gigantes nos quais multidões circulam incessantemente de um lado para o outro (só na estação de Shinjuko são 3.31 milhões diários).

A hora de ponta, amada por uns e odiada por outros, é um ritual mecanizado das massas que, ao sabor das chegadas dos comboios e em espamos repetitivos, enchem as estações de formigas humanas num fervilhar constante que culmina nos comboios da meia-noite (lotados 3 ou 4 vezes acima da capacidade máxima recomendada). Nestas ocasiões, entrar no comboio/metro é uma técnica elaborada em que físico e espírito trabalham juntos. Imbuídos numa espiritualidade Zen, desligamos-nos do corpo para que este fique fluido e ai será possível entrar e ocupar algumas áreas vazias (mesmo quando estas quase não são continuas).

Escrever e-mails em ombros vizinhos, ler junto a peitos estranhos e um mar de gente que sai do comboio ao abrir das portas depressa se torna parte do quotidiano. O saber movimentar-se dentro da estação também se aprende com o passar do tempo e isso permite-nos aproveitar o ímpeto e a direcção da multidão já que, por vezes, perde-se um comboio por uma questão de segundos (o que implica esperar 3, 5 ou 7 minutos). Parar e/ou entrar em contra-mão implica emoções fortes e fica sempre bem facilitar os últimos metros daqueles que estão dispostos a saltar para uma porta de comboio quando esta se está a fechar.

Post-scriptum: às 21h os comboios estão calmos, como podem observar nas fotografias, pois a hora de ponta já passou. Na hora de ponta, ai sim, é necessário que as pessoas viajem compactadas e é nessas alturas que os empregados da estação, de luva branca, nos ajudam a entrar e até nos fecham a porta...

O supra-sumo da experiência é o Expresso da Meia Noite às Sextas e Sábados, mas é difícil descrever tamanha surrealidade. [1][2]

01/10/07

Summa cum laude

Yoyogi-koen, Tóquio - Abril de 2007

Rodeado de verde e silêncio, este jovem ensaia alguma actividade minimalista numa urbanidade que se revela calma sob o despertar da manhã. Juntando-me a ninguém assisto aos seus movimentos rituais e questiono-me sobre o significado que encerram. Ele continua impávido à minha presença e a máquina fotográfica parece não o incomodar, afinal de contas, eu sou a audiência...

28/09/07

Filão vulcânico

O parque de Yoyogi Koen revela-se um filão inesgotável de liberdade e diversidade que fluem em espasmos vulcânicos. Aquilo que é estranho aqui depressa deixa de o ser e esse mundo passa a ser nosso. Ao fim-de-semana, a liberdade concentra-se aqui e tristes são aqueles que passam de empreitada e ajuizam montados no seu dogma.

26/09/07

Hanabi

Por entre o desfilar do verão, quando a humidade se cola ao corpo e as cigarras zumbem dia e noite, surgem as famosas Hanabi de Agosto. Nestes festivais de fogo-de-artifício, sob o mote da tradição e da socialização, vastas multidões se juntam numa volúpia colectiva (por vezes números a rondar o milhão). É então que as margens de alguns rios e algumas colinas se vêm invadidas pelo colorido da pólvora e das Yukatas (variante simples do Kimono).

Nos estados febris que acompanham esses momentos, fechando os olhos e ao sabor de essas Yukatas, imagino as Hanabis, os mercados e as pessoas da antiga Edo (Tóquio). Alguns segundos depois tudo termina, a humidade regressa e mais uma explosão de cor se avista.

Fotografias tiradas num festival algures junto à linha Odakyu a 4 de Agosto

03/06/06

Louis Vuitton no Japão

Jovens de espelhos na mão mascaram-se diariamente num ritual elaborado. Usando roupas elegantes e sapatos vistosos envolvem-se numa panóplia de cosméticos e de símbolos sociais. Buscam a elegância, a moda e a imagem que lhes permitam encontrar o parceiro que as sustente até ao fim da vida delas. Acessórios humanos que se vendem em troca de uma vida confortável. (Atenção que isto é uma mera opinião pessoal)

Em pleno comboio, camadas de base, rímel e batom são meticulosamente renovadas, domesticam-se madeixas de cabelo que teimam em assumir ângulos de 47º em vez dos estéticos 43º e facilmente se detecta uma atenção excessiva com a imagem exterior.

Acima dos 25 anos aumenta a discrição, a elegância, a classe e o poder de compra. Factores que se repercurtem no amplo uso de marcas Italianas e Francesas. Detecta-se então um comportamento social que me intriga: Por terras Japonesas, Louis Vuitton (LV) tornou-se um símbolo de Status. Uma pequena histeria social pois milhares de pessoas passeiam-se com as conhecidas malas castanhas que custam balúrdios (algo entre 500 e 1550 EUR). Há já quem diga, com alguma ironia, que em Tóquio há dois tipos de mulheres - as LV e as NON LV.

Surge a questão. Qual o potencial do interior quando se dá tamanha atenção ao exterior?!

22/05/06

Aldeia Global

Em Nikko - Novembro 2005
"Minha aldeia é todo o mundo, Todo o mundo me pertence, Aqui me encontro e confundo, Com gente de todo o mundo, Que a todo o mundo pertence." António Gedeão (1906-1997)

A multiculturalidade rodeia-me e a mente rodopia com tamanha riqueza! Por todo o lado socializo com pessoas de todo o mundo. Uma panóplia de credos, formas de estar, raças e culturas que se diluem por entre o convívio. Fazendo-nos crer que há características intrínsecas comuns aos povos desta aldeia global.

Este encontro de culturas fascina-me e diariamente tento aprender a respeitar, a compreender, a aceitar e a tolerar a diferença. Assim rasgo novos horizontes e conscencializo que a terra é quase esférica. Hoje, quando contemplo os povos Europeus, não penso nas suas assimetrias mas sim naquilo que os une.

Desde que cheguei a Tóquio já conheci "gente de todo o mundo". De alguns não sei o nome mas sei sempre as suas nacionalidades:

Portugal, Espanha, França, Alemanha, Suíça, Itália, Hungria, Polónia, Inglaterra, Finlândia, Suécia, Rússia, Letónia, Ucrânia, Uzbequistão, Cazaquistão, Mongólia, China, Taiwan, Bangladesh, Indonésia, Tailândia, Vietname, Cambodja, Malásia, Austrália, Nova Zelândia, Gana, Moçambique, Tunísia, Irão, Iraque, Turquia, Bulgária, Roménia, Croácia, EUA, Argentina, Colômbia, Chile, El Salvador, México, Canadá, Índia, Paquistão, Brasil, Peru, Venezuela, Egipto, Israel, Chipre, Japão, Nepal, Coreia do Sul, Turquestão, Grécia, Áustria, Uruguai, Moldávia, Holanda, Jamaica, Lituânia, Noruega, Bélgica, República do Palau, República Checa, Jordânia,

16/05/06

Apanhados II

Gitanos, macumbeiros e videntes de todo o mundo... tremam todos! Os Japoneses chegaram (de gravata, luva branca e computador)!

Parque de Ueno num Domingo de tarde

20/04/06

Um momento Andaluz

O Homem procura exprimir o que está dentro e fora de si, e nesse intuito surgiram as artes. Para que o Homem não se acanhe e a alma se agigante...

A música e a dança têm o dom de nos fazer suspirar e, foi assim que, no Domingo passado, decidi ir ao espectáculo anual da Associação Japonesa de Flamenco. Tratou-se de uma decisão acertada pois vivi 3h30 de expressividade, paixão e alguma quase-que-alucinação.

Fiquei agradavelmente surpreendido pela fabulosa interpretação de um sentimento tão Andaluz. Mas acredito que há características intrínsecas ao povo Andaluz que os Japaneses não conseguem sentir ou reproduzir. Mais uma vez se confirma a alma apaixonada do povo Ibérico. Viva o Fado! Viva o Flamenco! Viva a Peninsula Ibérica!

Sub-repticiamente tirei algumas fotografias com a teleobjectiva nova. Não fazem jus à dimensão do evento, mas aqui vos as deixo...
http://rebordao.net/temp/flamenco/

09/04/06

Apanhados I

Bicicleta abandonada em Shimokitazawa - Tóquio
A acção humana é efémera quando comparada com a da mãe Natureza. A selva reconquistou as cidades Maias e as flores conquistam as cidades de hoje.

20/03/06

Yoyogi Koen I


O Elvis Presley está vivo! Vive em Tóquio e à sua volta há moças de trajes estranhos.

O parque de Yoyogi Koen podia ser mais um parque banal com os habitue normais (namorados e familias em piquenique; praticantes de yoga; desportistas solitários e equipes a jogar futebol ou rugby com um frisbee) mas como descrever os aspirantes a Fred Astaire, as bandas que não-são-de-garagem, os 26 sócias do Elvis e as moças de Harajuku?!

Aos fins-de-semana músicos e bandas trocam a garagem (que não existe) pelo verde de Yoyogi Koen. Com os seus geradores e amplificadores inundam o parque de Jazz, Rock e Folk. O mesmo se aplica ao Tokyo Rockabilly Fan Club que, em grande estilo, nos faz crer que o Elvis está vivo e, por entre vendedores ambulantes de comida, lá se encontram à saída da estação as coloridas moças de Harajuku.

NOTA: as moças (também há moços) de Harajuku são adolescentes que procuram manifestar a sua individualidade, quebrar alguma da rotina semanal e captar a atenção e a simpatia de quem passa. Numa sociedade orientada em torno de grupos e do uso de uniformes as moças de Harajuku criaram o seu próprio grupo que se veste com uniformes individuais de cores alegres e adereços extravagantes. Algumas delas parecem frutas gigantes de cores psicadélicas mas os estilos predominantes são as Góticas, as Lolitas, as Decoras e as Cyber-fashion. Adoram ser fotografadas e podem ser vistas aos fins-de-semana em Harajuku.

04/03/06

O culto

Preenchi uma tarde chuvosa deambulando por Kasumigaseki. Uma zona de escritórios pontuada por salarymen em movimento, alguns templos e cemitérios. Os arranha céus impõem-se e fazem-nos esquecer que os templos precederam a urbanidade actual.

Explorei os jardins de 2 templos Xintoístas e, fugindo da chuva, abriguei-me num dos grandes templos Budistas (Zõzõ-ji) da área. O cântico febril de 2 monges e o rufar dos instrumentos de percussão convidaram-me a entrar. Encontrei-me então num local amplo e escuro onde meia dúzia de crentes se envolviam em preces e no intenso cheiro a incenso. Um som ensurdecedor ecoava por entre as colunas vermelho lacre à medida que os monges convergiam para o transe religioso. Dois Budas laterais ladeavam o altar principal onde um outro Buda assistia impávido a contemplação dos crentes e, do interior do templo, chegava-nos o soar dos gongos e a indicação de cerimónias misteriosas que não nos era permitido presenciar.

Subitamente os monges retiraram-se, e o silêncio instalou-se, passados breves instantes regressaram na companhia de um outro sacerdote. Solenemente ocuparam posições junto ao Buda central e, de costas viradas para os 11 crentes presentes, iniciaram um serviço religioso. Crentes e sacerdotes envolveram-se no transe dos cânticos, no soar dos gongos e na deferência das vénias. Eu, embriagado pelo cheiro, com o coração apressado pelos sons, repousava o meu olhar na simplicidade e elegância do local, no dourado dos altares, no vermelho lacre das colunas e na peculariedade do evento.
Fonte da purificação num dos templos Xintoístas de Kasumigaseki