23/11/08
30/04/08
Paixão
11/04/08
Apanhados XVI
Juntinho à estação de comboio, dentro de Tóquio e a caminho de casa há um quintal que vale milhões. Nesse quintal há couves, maças e cenouras que são o entretem de quem amanha essa terra. Mas bonito de se ver é a vedação viva que envolve o quintal já que, há uma semana atrás, surgiram folhas novas que inebriaram de vermelho quem por ali passava. Com o passar dos dias o vermelho desfez-se em verde mas a façanha repetir-se-á numa próxima Primavera. Mantenhamo-nos atentos.03/04/08
01/04/08
17/02/08
Iron Maiden no Japão
Os Iron Maiden são um dos ícones do heavy metal. Criaram uma marca própria que une várias gerações (dos 15 aos 60 anos) e misturam sabiamente coreografias épicas com energia e tecnicismo. Ao vivo são uma máquina oleada que não deixa ninguém indiferente e que traduz a experiência acumulada ao longo de 32 anos de carreira. Embora desde 1992 façam "mais do mesmo", a sua evolução técnica e as constantes tournées mantêm a chama acesa e saciam os fans.
Tóquio costuma ser palco regular das suas tournées e esta última (Somewhere back in time) passou por aqui nos dias 15 e 16 e, mesmo com o cartaz limitado aos Iron Maiden e com bilhetes a 60 EUR, os fans compareceram em força. Os Iron Maiden revisitaram os seus grandes hinos e presentearam os presentes com 2h de uma actuação musculada à qual o público aderiu entusiasticamente – cantando (sabiam as letras todas), pulando e com doses massivas de headbanging. Definitivamente o Eddie está vivo e de boa saúde!10/02/08
Os ventos Mongóis




Estas fotografias foram tiradas ontem à noite (9 de Fevereiro), a última resultou de uma exposição de 2 segundos.03/02/08
29/01/08
Há sempre espaço para + um (parte II)
A hora de ponta, amada por uns e odiada por outros, é um ritual mecanizado das massas que, ao sabor das chegadas dos comboios e em espamos repetitivos, enchem as estações de formigas humanas num fervilhar constante que culmina nos comboios da meia-noite (lotados 3 ou 4 vezes acima da capacidade máxima recomendada). Nestas ocasiões, entrar no comboio/metro é uma técnica elaborada em que físico e espírito trabalham juntos. Imbuídos numa espiritualidade Zen, desligamos-nos do corpo para que este fique fluido e ai será possível entrar e ocupar algumas áreas vazias (mesmo quando estas quase não são continuas).
Escrever e-mails em ombros vizinhos, ler junto a peitos estranhos e um mar de gente que sai do comboio ao abrir das portas depressa se torna parte do quotidiano. O saber movimentar-se dentro da estação também se aprende com o passar do tempo e isso permite-nos aproveitar o ímpeto e a direcção da multidão já que, por vezes, perde-se um comboio por uma questão de segundos (o que implica esperar 3, 5 ou 7 minutos). Parar e/ou entrar em contra-mão implica emoções fortes e fica sempre bem facilitar os últimos metros daqueles que estão dispostos a saltar para uma porta de comboio quando esta se está a fechar.

Post-scriptum: às 21h os comboios estão calmos, como podem observar nas fotografias, pois a hora de ponta já passou. Na hora de ponta, ai sim, é necessário que as pessoas viajem compactadas e é nessas alturas que os empregados da estação, de luva branca, nos ajudam a entrar e até nos fecham a porta...
O supra-sumo da experiência é o Expresso da Meia Noite às Sextas e Sábados, mas é difícil descrever tamanha surrealidade. [1][2]
01/10/07
Summa cum laude
Rodeado de verde e silêncio, este jovem ensaia alguma actividade minimalista numa urbanidade que se revela calma sob o despertar da manhã. Juntando-me a ninguém assisto aos seus movimentos rituais e questiono-me sobre o significado que encerram. Ele continua impávido à minha presença e a máquina fotográfica parece não o incomodar, afinal de contas, eu sou a audiência...
30/09/07
28/09/07
Filão vulcânico
O parque de Yoyogi Koen revela-se um filão inesgotável de liberdade e diversidade que fluem em espasmos vulcânicos. Aquilo que é estranho aqui depressa deixa de o ser e esse mundo passa a ser nosso. Ao fim-de-semana, a liberdade concentra-se aqui e tristes são aqueles que passam de empreitada e ajuizam montados no seu dogma.
26/09/07
Hanabi
Por entre o desfilar do verão, quando a humidade se cola ao corpo e as cigarras zumbem dia e noite, surgem as famosas Hanabi de Agosto. Nestes festivais de fogo-de-artifício, sob o mote da tradição e da socialização, vastas multidões se juntam numa volúpia colectiva (por vezes números a rondar o milhão). É então que as margens de alguns rios e algumas colinas se vêm invadidas pelo colorido da pólvora e das Yukatas (variante simples do Kimono).
Nos estados febris que acompanham esses momentos, fechando os olhos e ao sabor de essas Yukatas, imagino as Hanabis, os mercados e as pessoas da antiga Edo (Tóquio). Alguns segundos depois tudo termina, a humidade regressa e mais uma explosão de cor se avista.
Fotografias tiradas num festival algures junto à linha Odakyu a 4 de Agosto
03/06/06
Louis Vuitton no Japão
Jovens de espelhos na mão mascaram-se diariamente num ritual elaborado. Usando roupas elegantes e sapatos vistosos envolvem-se numa panóplia de cosméticos e de símbolos sociais. Buscam a elegância, a moda e a imagem que lhes permitam encontrar o parceiro que as sustente até ao fim da vida delas. Acessórios humanos que se vendem em troca de uma vida confortável. (Atenção que isto é uma mera opinião pessoal)Em pleno comboio, camadas de base, rímel e batom são meticulosamente renovadas, domesticam-se madeixas de cabelo que teimam em assumir ângulos de 47º em vez dos estéticos 43º e facilmente se detecta uma atenção excessiva com a imagem exterior.
Surge a questão. Qual o potencial do interior quando se dá tamanha atenção ao exterior?!
22/05/06
Aldeia Global
A multiculturalidade rodeia-me e a mente rodopia com tamanha riqueza! Por todo o lado socializo com pessoas de todo o mundo. Uma panóplia de credos, formas de estar, raças e culturas que se diluem por entre o convívio. Fazendo-nos crer que há características intrínsecas comuns aos povos desta aldeia global.
Este encontro de culturas fascina-me e diariamente tento aprender a respeitar, a compreender, a aceitar e a tolerar a diferença. Assim rasgo novos horizontes e conscencializo que a terra é quase esférica. Hoje, quando contemplo os povos Europeus, não penso nas suas assimetrias mas sim naquilo que os une.
Desde que cheguei a Tóquio já conheci "gente de todo o mundo". De alguns não sei o nome mas sei sempre as suas nacionalidades:
Portugal, Espanha, França, Alemanha, Suíça, Itália, Hungria, Polónia, Inglaterra, Finlândia, Suécia, Rússia, Letónia, Ucrânia, Uzbequistão, Cazaquistão, Mongólia, China, Taiwan, Bangladesh, Indonésia, Tailândia, Vietname, Cambodja, Malásia, Austrália, Nova Zelândia, Gana, Moçambique, Tunísia, Irão, Iraque, Turquia, Bulgária, Roménia, Croácia, EUA, Argentina, Colômbia, Chile, El Salvador, México, Canadá, Índia, Paquistão, Brasil, Peru, Venezuela, Egipto, Israel, Chipre, Japão, Nepal, Coreia do Sul, Turquestão, Grécia, Áustria, Uruguai, Moldávia, Holanda, Jamaica, Lituânia, Noruega, Bélgica, República do Palau, República Checa, Jordânia,
16/05/06
Apanhados II
20/04/06
Um momento Andaluz

A música e a dança têm o dom de nos fazer suspirar e, foi assim que, no Domingo passado, decidi ir ao espectáculo anual da Associação Japonesa de Flamenco. Tratou-se de uma decisão acertada pois vivi 3h30 de expressividade, paixão e alguma quase-que-alucinação.
Fiquei agradavelmente surpreendido pela fabulosa interpretação de um sentimento tão Andaluz. Mas acredito que há características intrínsecas ao povo Andaluz que os Japaneses não conseguem sentir ou reproduzir. Mais uma vez se confirma a alma apaixonada do povo Ibérico. Viva o Fado! Viva o Flamenco! Viva a Peninsula Ibérica!
Sub-repticiamente tirei algumas fotografias com a teleobjectiva nova. Não fazem jus à dimensão do evento, mas aqui vos as deixo...
http://rebordao.net/temp/flamenco/
09/04/06
Apanhados I
20/03/06
Yoyogi Koen I
O parque de Yoyogi Koen podia ser mais um parque banal com os habitue normais (namorados e familias em piquenique; praticantes de yoga; desportistas solitários e equipes a jogar futebol ou rugby com um frisbee) mas como descrever os aspirantes a Fred Astaire, as bandas que não-são-de-garagem, os 26 sócias do Elvis e as moças de Harajuku?!
Aos fins-de-semana músicos e bandas trocam a garagem (que não existe) pelo verde de Yoyogi Koen. Com os seus geradores e amplificadores inundam o parque de Jazz, Rock e Folk. O mesmo se aplica ao Tokyo Rockabilly Fan Club que, em grande estilo, nos faz crer que o Elvis está vivo e, por entre vendedores ambulantes de comida, lá se encontram à saída da estação as coloridas moças de Harajuku.
NOTA: as moças (também há moços) de Harajuku são adolescentes que procuram manifestar a sua individualidade, quebrar alguma da rotina semanal e captar a atenção e a simpatia de quem passa. Numa sociedade orientada em torno de grupos e do uso de uniformes as moças de Harajuku criaram o seu próprio grupo que se veste com uniformes individuais de cores alegres e adereços extravagantes. Algumas delas parecem frutas gigantes de cores psicadélicas mas os estilos predominantes são as Góticas, as Lolitas, as Decoras e as Cyber-fashion. Adoram ser fotografadas e podem ser vistas aos fins-de-semana em Harajuku.





04/03/06
O culto
Preenchi uma tarde chuvosa deambulando por Kasumigaseki. Uma zona de escritórios pontuada por salarymen em movimento, alguns templos e cemitérios. Os arranha céus impõem-se e fazem-nos esquecer que os templos precederam a urbanidade actual.Explorei os jardins de 2 templos Xintoístas e, fugindo da chuva, abriguei-me num dos grandes templos Budistas (Zõzõ-ji) da área. O cântico febril de 2 monges e o rufar dos instrumentos de percussão convidaram-me a entrar. Encontrei-me então num local amplo e escuro onde meia dúzia de crentes se envolviam em preces e no intenso cheiro a incenso. Um som ensurdecedor ecoava por entre as colunas vermelho lacre à medida que os monges convergiam para o transe religioso. Dois Budas laterais ladeavam o altar principal onde um outro Buda assistia impávido a contemplação dos crentes e, do interior do templo, chegava-nos o soar dos gongos e a indicação de cerimónias misteriosas que não nos era permitido presenciar.
Fonte da purificação num dos templos Xintoístas de Kasumigaseki












