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19/03/08

NCSP'08

Contrariando a tendência de o NCSP ser no Havai, este ano optou-se por Surfers Paradise. O Watermark Gold Coast Hotel foi o palco escolhido para mais um encontro que juntou 150 investigadores de Processamento de Sinal e, os 3 dias de conferência decorreram com muito convívio, apresentações técnicas, recepções, praia, comida e vinho pelo meio. A organização esteve de parabéns e há que referir que este escriba recebeu um Student Paper Award atribuído aos 22 melhores artigos (entre 147). Assim sim!

19/02/08

Sem dó nem piedade

Numa das várias festas do laboratório o Professor Hirose sovou sem dó nem piedade o Dr. Asakawa. A interface foi o jogo de boxe da consola Wii que vem incluido no pacote Wii sports.

Post-scriptum:
Assim é o meu Professor. Um peso pesado no mundo da ciência.

14/02/08

Bem Haja

My sincere thanks go to Professor Keikichi Hirose and Dr. Md. Khademul Islam Molla for their generosity in providing me with ideas, comments, suggestions, constant support and materials.

I acknowledge the University of Tokyo and the Japanese Ministry of Education for their precious support and, last but not least, I want to express my deepest gratitude to my family and friends because life without them would be meaningless.

18/07/06

Às 13h50...

Hoje, na aula de base de dados, olhei em meu redor e dediquei-me à estatística:

Local: sala 241 (capacidade para uns 300 alunos)
Hora: 13h50
Nota: Nestas aulas não precisamos de computador, basta lápis, borracha e papel.

Alunos presentes: 51
Alunos a usar PC: 28 (em actividades externas à aula)
Alunos a dormir: 5
Alunos a realizar tarefas externas à aula que não envolvem o uso do PC: 4 (pelo menos...)

Cálculo auxiliar:
51 - 37 = 14

Inferência:
Na melhor das hipóteses, 27,4% dos alunos estavam atentos à aula.

Conclusão:
Mais uma vez o lema de sempre... corpo presente e mente ausente.

22/05/06

Aldeia Global

Em Nikko - Novembro 2005
"Minha aldeia é todo o mundo, Todo o mundo me pertence, Aqui me encontro e confundo, Com gente de todo o mundo, Que a todo o mundo pertence." António Gedeão (1906-1997)

A multiculturalidade rodeia-me e a mente rodopia com tamanha riqueza! Por todo o lado socializo com pessoas de todo o mundo. Uma panóplia de credos, formas de estar, raças e culturas que se diluem por entre o convívio. Fazendo-nos crer que há características intrínsecas comuns aos povos desta aldeia global.

Este encontro de culturas fascina-me e diariamente tento aprender a respeitar, a compreender, a aceitar e a tolerar a diferença. Assim rasgo novos horizontes e conscencializo que a terra é quase esférica. Hoje, quando contemplo os povos Europeus, não penso nas suas assimetrias mas sim naquilo que os une.

Desde que cheguei a Tóquio já conheci "gente de todo o mundo". De alguns não sei o nome mas sei sempre as suas nacionalidades:

Portugal, Espanha, França, Alemanha, Suíça, Itália, Hungria, Polónia, Inglaterra, Finlândia, Suécia, Rússia, Letónia, Ucrânia, Uzbequistão, Cazaquistão, Mongólia, China, Taiwan, Bangladesh, Indonésia, Tailândia, Vietname, Cambodja, Malásia, Austrália, Nova Zelândia, Gana, Moçambique, Tunísia, Irão, Iraque, Turquia, Bulgária, Roménia, Croácia, EUA, Argentina, Colômbia, Chile, El Salvador, México, Canadá, Índia, Paquistão, Brasil, Peru, Venezuela, Egipto, Israel, Chipre, Japão, Nepal, Coreia do Sul, Turquestão, Grécia, Áustria, Uruguai, Moldávia, Holanda, Jamaica, Lituânia, Noruega, Bélgica, República do Palau, República Checa, Jordânia,

06/05/06

Deixem o menino dormir!

Na Universidade de Tóquio vigora o magistocentrismo. O Professor debita, o aluno escuta e ninguém espevita, isto é, ninguém conversa e poucos chegam atrasados. No entanto é permitido dormir, da primeira à última fila, vários alunos dormitam nas mais estranhas posições. Atinge-se o auge nas aulas por vídeo-conferência, em que o Professor, usando tecnologia de ponta, transmite a partir de algures.

A interacção professor/aluno é miníma e embora de corpo presente, por vezes, é habitual estar de mente ausente. Uns dormem, outros estão atentos, há quem estude outras disciplinas e há quem se entretenha com os seus computadores portáteis. O mesmo espírito se aplica às 6h de reuniões semanais que tenho no laboratório e os 2 sófas-cama que possuímos confirmam a filosofia.

As bibliotecas e as cantinas também são bons sítios para avistar os meninos que dormem. Mas nada comparável com a destreza dos commuters que, 5 seg após entrarem no comboio, assumem o modo Stand-By. Afinal de contas... organização e optimização são 2 dos pilares do sucesso Nipónico. Pois quando o cansaço aperta e o sono desperta,... não há nada como dormir!

Post scriptum: O Povo Japonês é muito trabalhador e, em Tóquio, os commuters e alguns estudantes passam 3h ou 4h diárias nos transportes públicos. Este texto não pretende desvalorizar ninguém. Todos nós podemos ser vencidos pelo cansaço.

12/02/06

Obrigado Senhor!

As Universidades Japonesas formam uma cordilheira montanhosa cuja missão se baseia na busca e na partilha do conhecimento - o pico mais alto chama-se Universidade de Tóquio. Para muitos nativos o sonho de uma vida é escalar até ao cume, os felizes eleitos começam, muito jovens ainda, a preparar-se para tal.

Um punhado de estrangeiros aceitou o repto da escalada. Com o alto patrocínio do governo Japonês busca-se a vertigem de passar para o lado de lá das nuvens.

Instalámos a 1ª base no sope da montanha e durante 4.5 meses por aqui ficámos. Explorámos os arredores, adquirimos vivências, intoxicámo-nos com sonhos conscientes, aprendemos Japonês e o corpo lentamente se habituou à mudança de ares.

No dia 5 de Fevereiro avistámos a 2ª base mas tínhamos pela frente dois exames - um de Álgebra Linear, Probabilidades e Equações Diferenciais e um outro de Redes Informáticas, Circuitos Electrónicos, Algoritmos e Arquitectura de Computadores. O ar rarefeito obrigou-me a usar oxigénio mas não deixei de acreditar e, pé ante pé, por fim encontrei os 5 guardiões da porta. No dia seguinte sentei-me a uma mesa austera e os 5 Professores interrogaram-me para saber se eu estava apto a entrar. Acreditei em mim e defendi o sonho até que soube que tinha sido admitido no Mestrado do Departamento de Information and Communication Engineering - Faculdade de Information Science and Technology.

A subida vai ser dura e precisamos de nos preparar, se tudo correr pelo melhor vamos permanecer na 2ª base até Abril de 2008.

O sonho continua!

Post-scriptum: Leiam os poemas que encontram neste blog e acreditem nos vossos projectos.

09/12/05

E depois do Outono?

O Outono dilui-se com o passar dos dias, num adeus prolongado. Nas árvores de cores alegres a folha caduca foi Rainha e Senhora de um exercito que usa as cores do arco-íris.

Amantes, fotógrafos e pintores, ansiosos por captarem a nostalgia envolvente, invadiram o Campus da Universidade de Tóquio (parques, rios e florestas apresentam os mesmos sintomas).

Aqui vos deixo algumas fotos Outonais deste Campus Universitário:

01/11/05

Os Samurais do Nihongo

Alguns elementos da minha turma durante o intervalo

Duas vezes por ano a Universidade de Tóquio (Todai) oferece cursos de Japonês (Nihongo). São gratuitos, divertidos e há-os para todos os gostos e feitios...

O Professor Hirose colocou a minha pesquisa em stand-by e, durante 4 meses, tenho a missão diária de aprender as artes do Nihongo.

Inscrevi-me num Curso intensivo, sem fins-de-semana nem horario de expediente. O céu é o limite, que é como quem diz por aqui, Ganbate!

O Curso tem uma estrutura funcional muito oleada. Os professores do Centro de Línguas são excelentes e TRABALHAM EM EQUIPA em prol de um objectivo comum (que longe estas Portugal...). As propinas do curso são elevadas mas o Padrinho Monbusho (Ministerio da Educação, Ciência, Desporto e Cultura) paga tudo!

Sinto progressos diários (já consigo de facto estabelecer pequenos diálogos patéticos e fazer o meu próprio pedido nos restaurantes).

Há 3 alfabetos no Japonês (Hiragana, Katakana e o Kanji). Utilizam-se os 3 alfabetos em simultâneo e tradicionalmente escreve-se de cima para baixo e da direita para a esquerda. Cada um dos Kana e' composto de 46 sílabas/caracteres/"letras". São ambos silábicos e representam sons. O Hiragana predomina mas o Katakana está sempre por perto e é usado para escrever palavras de origem estrangeira. O Kanji é de origem Chinesa e é pictográfico, ou seja, cada imagem representa um conceito que varia consoante o contexto. Felizmente o governo Japonês, dos 50 mil Kanji existentes, regulamentou APENAS 2000 para uso comum... Ufa!

Na minha turma 9 destemidos Samurais linguísticos aceitaram o repto de se embrenharem na doce arte do Nihongo: o Erham e o Caneru (Turquia), o Thao (Vietnam), o Ardi (Indonesia), o Bhin (Nepal), a Amy (Malasia), a Yuan (China), o Richard (Inglaterra) e o Antonio (aka Eu) de Portugal. Nunca nos esquecemos de rir com os nossos erros e de agradecer a oportunidade de estar aqui, na ilha de Cipango, no ano 2005 de nosso senhor Jesus Cristo. Jaa Mata!

No blogue Neverending Story há um texto muito interessante sobre a língua Japonesa. Chama-se "Às voltas com as palavras..." e foi escrito pela amiga Laura (a sorridente chama Lusa que ilumina esta Universidade).

19/09/05

Interspeech - Eurospeech 2005

Eu e o Professor Hirose - Nos Pasteis de Belém, Lisboa - Setembro de 2005

Quando no verão de 2004 apresentei uma candidatura ao Monbukagakusho para trabalhar no laboratório Hirose & Minematsu, da Universidade de Tóquio, estava longe de imaginar que passado pouco mais de um ano, seria o próprio Lab a vir ter comigo. Mas assim foi...

Neste início de Setembro Lisboa acolheu as conferências internacionais de Processamento de Fala (Interspeech - Eurospeech 2005) e tive a oportunidade, única para um "caloiro", de mergulhar, num único fôlego, no que vai ser o meu universo nos próximos anos e também, de certo modo, de ser anfitrião daqueles que irão ser meus anfitriões; O Professor Hirose e vários membros (8) do seu laboratório vieram de Tóquio até Lisboa, para participar nas conferências.

Lisboa possui uma graça que encanta e os Japoneses envolveram-se nesse encanto. A comida, o fado, a gente e a cidade em si não deixam ninguém indiferente e foi assim que Portugal se instalou no seio do Hirose & Minematsu Lab.

Durante 5 dias a ficção científica tornou-se real e ganhou cor, som e cheiro nos quotidianos futuristas (que já são reais) descritos pela IBM, MIT, Microsoft, Sony, Honda, Toshiba, Nokia, e um sem fim de instituições/empresas de renome. O futuro já começou e eu estou nele!

Os números do evento: um total de 687 artigos; 55 apresentações e 80 poster diários; 1300 participantes de 62 países diferentes, vários KW de electricidade gastos e um rol de dinheiro investido em prol do avanço cientifico.

A Michiko e Eu - No restaurante K, Lisboa - Setembro de 2005

01/04/05

Foi assim que tudo começou...

Num dia quente de Julho, recém-chegado da Polónia, aconteceu uma daquelas flutuações no espaço-tempo que mudam o devir. Estava eu a caminho da Biblioteca da UBI, quando encontro o Miguel Catita (MC) a caminhar na direcção oposta. Embora o apelo dos estudos (fase terminal da época de exames) se fizesse sentir, MC aceitou o convite para uma "Super Bock", acompanhada por uma amena cavaqueira, e lá fomos para o Bar Oitavos. Acabámos os dois na biblioteca a partilhar conhecimentos de programas de internacionalização, sonhos e afins. O verão Português tem destas coisas...

MC voltou a mencionar o programa Monbukagakusho. Lembrava-me vagamente de ter visto, no ano passado, cartazes alusivos a esse programa. Pensei para comigo: Japão? Porque não?! Foi assim que aceitei o desafio. Até onde conseguiria chegar?!

A miríade de documentos (traduções, cartas de recomendação, carta de aceitação, analises clínicas, atestado médico, etc.) que a candidatura exigia, fez-me entender que se exigia um verdadeiro espírito Samurai. Obstáculo atrás de obstáculo, foi-me possível, em duas semanas intensas, preparar a candidatura. Depois de uma noite passada em branco e de uma corrida ininterrupta entre o Intendente e o Martim Moniz, 5min antes de terminar o prazo de entrega dos documentos, pingando rios de suor, entrei esbaforido na Embaixada Japonesa com a minha candidatura na mão. Foi assim que tudo começou...