11/06/06

A glimpse of Japan

Decidi enriquecer a tirar fotografias. Para tal há que ter olho vivo, dedo rápido e um portfolio online. Assim surgiu "A glimpse of Japan" by Antonio R.

03/06/06

Louis Vuitton no Japão

Jovens de espelhos na mão mascaram-se diariamente num ritual elaborado. Usando roupas elegantes e sapatos vistosos envolvem-se numa panóplia de cosméticos e de símbolos sociais. Buscam a elegância, a moda e a imagem que lhes permitam encontrar o parceiro que as sustente até ao fim da vida delas. Acessórios humanos que se vendem em troca de uma vida confortável. (Atenção que isto é uma mera opinião pessoal)

Em pleno comboio, camadas de base, rímel e batom são meticulosamente renovadas, domesticam-se madeixas de cabelo que teimam em assumir ângulos de 47º em vez dos estéticos 43º e facilmente se detecta uma atenção excessiva com a imagem exterior.

Acima dos 25 anos aumenta a discrição, a elegância, a classe e o poder de compra. Factores que se repercurtem no amplo uso de marcas Italianas e Francesas. Detecta-se então um comportamento social que me intriga: Por terras Japonesas, Louis Vuitton (LV) tornou-se um símbolo de Status. Uma pequena histeria social pois milhares de pessoas passeiam-se com as conhecidas malas castanhas que custam balúrdios (algo entre 500 e 1550 EUR). Há já quem diga, com alguma ironia, que em Tóquio há dois tipos de mulheres - as LV e as NON LV.

Surge a questão. Qual o potencial do interior quando se dá tamanha atenção ao exterior?!

22/05/06

Aldeia Global

Em Nikko - Novembro 2005
"Minha aldeia é todo o mundo, Todo o mundo me pertence, Aqui me encontro e confundo, Com gente de todo o mundo, Que a todo o mundo pertence." António Gedeão (1906-1997)

A multiculturalidade rodeia-me e a mente rodopia com tamanha riqueza! Por todo o lado socializo com pessoas de todo o mundo. Uma panóplia de credos, formas de estar, raças e culturas que se diluem por entre o convívio. Fazendo-nos crer que há características intrínsecas comuns aos povos desta aldeia global.

Este encontro de culturas fascina-me e diariamente tento aprender a respeitar, a compreender, a aceitar e a tolerar a diferença. Assim rasgo novos horizontes e conscencializo que a terra é quase esférica. Hoje, quando contemplo os povos Europeus, não penso nas suas assimetrias mas sim naquilo que os une.

Desde que cheguei a Tóquio já conheci "gente de todo o mundo". De alguns não sei o nome mas sei sempre as suas nacionalidades:

Portugal, Espanha, França, Alemanha, Suíça, Itália, Hungria, Polónia, Inglaterra, Finlândia, Suécia, Rússia, Letónia, Ucrânia, Uzbequistão, Cazaquistão, Mongólia, China, Taiwan, Bangladesh, Indonésia, Tailândia, Vietname, Cambodja, Malásia, Austrália, Nova Zelândia, Gana, Moçambique, Tunísia, Irão, Iraque, Turquia, Bulgária, Roménia, Croácia, EUA, Argentina, Colômbia, Chile, El Salvador, México, Canadá, Índia, Paquistão, Brasil, Peru, Venezuela, Egipto, Israel, Chipre, Japão, Nepal, Coreia do Sul, Turquestão, Grécia, Áustria, Uruguai, Moldávia, Holanda, Jamaica, Lituânia, Noruega, Bélgica, República do Palau, República Checa, Jordânia,

16/05/06

Apanhados II

Gitanos, macumbeiros e videntes de todo o mundo... tremam todos! Os Japoneses chegaram (de gravata, luva branca e computador)!

Parque de Ueno num Domingo de tarde

06/05/06

Deixem o menino dormir!

Na Universidade de Tóquio vigora o magistocentrismo. O Professor debita, o aluno escuta e ninguém espevita, isto é, ninguém conversa e poucos chegam atrasados. No entanto é permitido dormir, da primeira à última fila, vários alunos dormitam nas mais estranhas posições. Atinge-se o auge nas aulas por vídeo-conferência, em que o Professor, usando tecnologia de ponta, transmite a partir de algures.

A interacção professor/aluno é miníma e embora de corpo presente, por vezes, é habitual estar de mente ausente. Uns dormem, outros estão atentos, há quem estude outras disciplinas e há quem se entretenha com os seus computadores portáteis. O mesmo espírito se aplica às 6h de reuniões semanais que tenho no laboratório e os 2 sófas-cama que possuímos confirmam a filosofia.

As bibliotecas e as cantinas também são bons sítios para avistar os meninos que dormem. Mas nada comparável com a destreza dos commuters que, 5 seg após entrarem no comboio, assumem o modo Stand-By. Afinal de contas... organização e optimização são 2 dos pilares do sucesso Nipónico. Pois quando o cansaço aperta e o sono desperta,... não há nada como dormir!

Post scriptum: O Povo Japonês é muito trabalhador e, em Tóquio, os commuters e alguns estudantes passam 3h ou 4h diárias nos transportes públicos. Este texto não pretende desvalorizar ninguém. Todos nós podemos ser vencidos pelo cansaço.

20/04/06

Um momento Andaluz

O Homem procura exprimir o que está dentro e fora de si, e nesse intuito surgiram as artes. Para que o Homem não se acanhe e a alma se agigante...

A música e a dança têm o dom de nos fazer suspirar e, foi assim que, no Domingo passado, decidi ir ao espectáculo anual da Associação Japonesa de Flamenco. Tratou-se de uma decisão acertada pois vivi 3h30 de expressividade, paixão e alguma quase-que-alucinação.

Fiquei agradavelmente surpreendido pela fabulosa interpretação de um sentimento tão Andaluz. Mas acredito que há características intrínsecas ao povo Andaluz que os Japaneses não conseguem sentir ou reproduzir. Mais uma vez se confirma a alma apaixonada do povo Ibérico. Viva o Fado! Viva o Flamenco! Viva a Peninsula Ibérica!

Sub-repticiamente tirei algumas fotografias com a teleobjectiva nova. Não fazem jus à dimensão do evento, mas aqui vos as deixo...
http://rebordao.net/temp/flamenco/

18/04/06

Em flagrante delito!

Sábado passado a policia fez-me uma operação STOP, e tudo porque dei boleia a uma vizinha. Iamos da estação para a residência quando ouço uma voz amplificada pelas colunas de um carro patrulha. Olhei para o lado e paralelamente a nós seguiam 2 policias de olhar duro. Obrigado a parar lá tive de mostrar os documentos (cartão de estudante, BI Japonês e o registo de propriedade da BICICLETA).

Deixaram-me ir na paz do Senhor mas com o aviso de que 2 pessoas na bicicleta não pode ser. Como se eu não soubesse... ;-)

09/04/06

Apanhados I

Bicicleta abandonada em Shimokitazawa - Tóquio
A acção humana é efémera quando comparada com a da mãe Natureza. A selva reconquistou as cidades Maias e as flores conquistam as cidades de hoje.

31/03/06

Sakura

As cerejeiras em flor (Sakura), na sua migração de Sul para Norte, atingiram Tóquio e o branco instalou-se. A beleza efémera da flor é motivo para muita socialização - organizam-se piqueniques e autenticas peregrinações colectivas em busca da flor que enche o olhar (Hanami). Os Media acompanham diariamente o avanço da floração e fazem disso um acontecimento nacional.

A Sakura é Rainha e Senhora de um momento fugaz onde muitos Japoneses, de íris bem aberta, invadem os parques de máquina fotográfica ou telemóvel em punho para captar a beleza da flor. Há também quem estenda as mantas de piquenique sob as copas floridas (alguns fazem-no durante a noite para obterem os melhores sitios) e se deixe levar pelo deleite do branco. Familias, amigos, crianças e idosos todos unidos sob a egide da flor!

Também eu procuro beber desta beleza envolvente que tanto me recorda as cerejeiras da minha terra. As cerejeiras em flor da Serra da Gardunha (Beira Baixa - Fundão) além de serem igualmente belas geram deliciosos frutos, o que já não acontece com as congéneres Japonesas (que apenas dão flor).
Mais fotografias disponíveis em http://rebordao.net/temp/sakura/

20/03/06

Yoyogi Koen I


O Elvis Presley está vivo! Vive em Tóquio e à sua volta há moças de trajes estranhos.

O parque de Yoyogi Koen podia ser mais um parque banal com os habitue normais (namorados e familias em piquenique; praticantes de yoga; desportistas solitários e equipes a jogar futebol ou rugby com um frisbee) mas como descrever os aspirantes a Fred Astaire, as bandas que não-são-de-garagem, os 26 sócias do Elvis e as moças de Harajuku?!

Aos fins-de-semana músicos e bandas trocam a garagem (que não existe) pelo verde de Yoyogi Koen. Com os seus geradores e amplificadores inundam o parque de Jazz, Rock e Folk. O mesmo se aplica ao Tokyo Rockabilly Fan Club que, em grande estilo, nos faz crer que o Elvis está vivo e, por entre vendedores ambulantes de comida, lá se encontram à saída da estação as coloridas moças de Harajuku.

NOTA: as moças (também há moços) de Harajuku são adolescentes que procuram manifestar a sua individualidade, quebrar alguma da rotina semanal e captar a atenção e a simpatia de quem passa. Numa sociedade orientada em torno de grupos e do uso de uniformes as moças de Harajuku criaram o seu próprio grupo que se veste com uniformes individuais de cores alegres e adereços extravagantes. Algumas delas parecem frutas gigantes de cores psicadélicas mas os estilos predominantes são as Góticas, as Lolitas, as Decoras e as Cyber-fashion. Adoram ser fotografadas e podem ser vistas aos fins-de-semana em Harajuku.

14/03/06

Tailândia I

Se o Natal é quando o Homem quiser, o verão também o é! Pelo menos enquanto pudermos voar para os trópicos. Foi assim que os tunisínos Wael e Achraf e o vosso António (aka eu) se embrenharam numa curta e intensa visita ao reino da Tailândia.

Ao sair do avião o calor intenso envolveu-nos numa cortina húmida. A caminho do hotel comovemo-nos com as árvores estranhas que nos ofereciam o auge da sua floração enquanto os nossos ávidos olhos de turista observavam os nativos, as cores alegres e o reboliço de Bangkok com os seus 8 milhões de habitantes.
O hotel revelou-se uma óptima surpresa. Largamos as bagagens e partimos de novo... Em Silom (uma das zonas centrais da cidade) esperava-nos uma mistura de cheiros e cores; a tentação que habita as ruas de PatPong; os divertidos táxis Tuk Tuk e uma imensidáo de vendedores de rua (fruta, comida, roupa, souvenirs, inutilidades, etc). Recomenda-se negociar os preços, é frequente pedirem até 5 vezes o preço por que estão dispostos a vender, aqui turista é pato!
Há que visitar o templo Emerald e o de Wat Pho e, nos intervalos, beber um coco fresco, embriagar os sentidos com frutas tropicais, deleitar-se com a gastronomia local (tendência para o picante, uso da galinha, do peixe, dos moluscos e dos frutos do mar) e experimentar as famosas massagens Tailandesas.

Fora de Bangkok recomenda-se uma ida à famosa praia/cidade/ilha de Pattaya (157Km Sudoeste), ao Mercado Flutuante (76Km Oeste) e a Ayuttahaya (83Km a Norte). Nessas viagens talvez possam vislumbrar um imaginário de selvas com elefantes, crocodilos, tigres, cobras venenosas, iguanas em abundândia, ruinas de civilizações idas, frutas exóticas a crescer à beira da estrada e o Oceano Indico ali mesmo ao lado.O regresso a Tóquio é doloroso. Aqui não há as cores fortes e/ou o calor das paisagens tropicais... Mas... assim é a vida! Para me animar, já comecei a planear a próxima expedição (Tailândia e Cambodja - Agosto 2006).

Mais fotografias disponíveis em http://rebordao.net/temp/tailandia1/

04/03/06

O culto

Preenchi uma tarde chuvosa deambulando por Kasumigaseki. Uma zona de escritórios pontuada por salarymen em movimento, alguns templos e cemitérios. Os arranha céus impõem-se e fazem-nos esquecer que os templos precederam a urbanidade actual.

Explorei os jardins de 2 templos Xintoístas e, fugindo da chuva, abriguei-me num dos grandes templos Budistas (Zõzõ-ji) da área. O cântico febril de 2 monges e o rufar dos instrumentos de percussão convidaram-me a entrar. Encontrei-me então num local amplo e escuro onde meia dúzia de crentes se envolviam em preces e no intenso cheiro a incenso. Um som ensurdecedor ecoava por entre as colunas vermelho lacre à medida que os monges convergiam para o transe religioso. Dois Budas laterais ladeavam o altar principal onde um outro Buda assistia impávido a contemplação dos crentes e, do interior do templo, chegava-nos o soar dos gongos e a indicação de cerimónias misteriosas que não nos era permitido presenciar.

Subitamente os monges retiraram-se, e o silêncio instalou-se, passados breves instantes regressaram na companhia de um outro sacerdote. Solenemente ocuparam posições junto ao Buda central e, de costas viradas para os 11 crentes presentes, iniciaram um serviço religioso. Crentes e sacerdotes envolveram-se no transe dos cânticos, no soar dos gongos e na deferência das vénias. Eu, embriagado pelo cheiro, com o coração apressado pelos sons, repousava o meu olhar na simplicidade e elegância do local, no dourado dos altares, no vermelho lacre das colunas e na peculariedade do evento.
Fonte da purificação num dos templos Xintoístas de Kasumigaseki

23/02/06

Poema VI

Bambus do templo Hasedera em Kamakura
Pelo sonho é que vamos,
Comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não frutos,
Pelo Sonho é que vamos.

Excerto do poema "Pelo sonho é que vamos"
Sebastião da Gama (1924-1952)

22/02/06

Kamakura II

A generosidade do Professor Hirose levou-me, juntamente com 3 dos meus colegas de laboratório, até à bela cidade de Kamakura, num sábado inundado de sol, azul, verde, e das primeiras promessas de Primavera.

Corpo e Alma agitam-se ao saírem do frenesim da grande cidade, embriagam-se nos rituais, nas lendas e na espiritualidade que caracterizam os templos Zen, Xintoístas ou Budistas que abundam neste sitio intemporal.

Deixamos o verde e olhamos para Leste, o olhar perdido no Oceano Pacifico ao sabor de um quotidiano intenso. Ave Mundi Luminar!

12/02/06

Obrigado Senhor!

As Universidades Japonesas formam uma cordilheira montanhosa cuja missão se baseia na busca e na partilha do conhecimento - o pico mais alto chama-se Universidade de Tóquio. Para muitos nativos o sonho de uma vida é escalar até ao cume, os felizes eleitos começam, muito jovens ainda, a preparar-se para tal.

Um punhado de estrangeiros aceitou o repto da escalada. Com o alto patrocínio do governo Japonês busca-se a vertigem de passar para o lado de lá das nuvens.

Instalámos a 1ª base no sope da montanha e durante 4.5 meses por aqui ficámos. Explorámos os arredores, adquirimos vivências, intoxicámo-nos com sonhos conscientes, aprendemos Japonês e o corpo lentamente se habituou à mudança de ares.

No dia 5 de Fevereiro avistámos a 2ª base mas tínhamos pela frente dois exames - um de Álgebra Linear, Probabilidades e Equações Diferenciais e um outro de Redes Informáticas, Circuitos Electrónicos, Algoritmos e Arquitectura de Computadores. O ar rarefeito obrigou-me a usar oxigénio mas não deixei de acreditar e, pé ante pé, por fim encontrei os 5 guardiões da porta. No dia seguinte sentei-me a uma mesa austera e os 5 Professores interrogaram-me para saber se eu estava apto a entrar. Acreditei em mim e defendi o sonho até que soube que tinha sido admitido no Mestrado do Departamento de Information and Communication Engineering - Faculdade de Information Science and Technology.

A subida vai ser dura e precisamos de nos preparar, se tudo correr pelo melhor vamos permanecer na 2ª base até Abril de 2008.

O sonho continua!

Post-scriptum: Leiam os poemas que encontram neste blog e acreditem nos vossos projectos.