07/10/07

José Manuel

Numa globalidade galopante, por vezes, surge o problema da identidade - o Homem desenraizado, solitário e triste. Nesse contexto, se não sabemos quem somos, talvez se possa ter a ilusão de que é possível escolher livremente a nossa identidade.

Aqui vos deixo um falso documentário sobre o José Manuel.

06/10/07

A viagem

Lisboa, Dezembro de 2006
Há coisa de uma hora, li numa montra de Roppongi que a vida é uma viagem...

A Carta II

Meu Senhor, sabe-se que o Capitão-mor desta Vossa frota amiúde novas tem escrito mas “não deixarei de também dar disso minha conta a Vossa Alteza, assim como eu melhor puder, ainda que – para o bem contar e falar – o saiba pior que todos fazer! Todavia tome Vossa Alteza minha ignorância por boa vontade, a qual bem certo creia que, para aformosentar nem afear, aqui não há de por mais do que aquilo que vi e me pareceu. E portanto, Senhor, do que hei de falar começo.”

Chegamos a esta Vossa terra nova, como Vossa Alteza sabe, dois anos atrás no dia 6 de Outubro do ano de 2005. Desde então, muitas cosas se acharam e a acalmia por aqui nos tem mantido. Alguns nos têm seguido e, como me é dado ver e parecer, bem-vindo sejam aqueles que vêm por bem. O senhor feudal desta ilha continua a olhar-nos de feição e terras, pão, vinho, mulheres e cartas régias nos têm sido dadas e, quando as monções sopram a favor, lá vamos bolinando pelos mares destas ilhas. Aos poucos o novo idioma se entranha e os nativos se aproximam sem temor. Novas plantas, animais e produtos se acharam mas, por estranho que soe, muitas dessas plantas e animais também se acham em Portugal (diz-se que fruto de migrações de tempos idos). As oportunidades continuam a borbulhar e, se há as que se perdem, também há as que se agarram. Este seu servo quase de tudo tenta aprender e, agora que o Inverno se avizinha, por aqui iremos fundear com a graça do Senhor.

Beijo as mãos de Vossa Alteza.

Deste porto seguro, da Nossa ilha de Cipango, hoje, Sábado, sexto dia de Outubro de 2007.

António Rebordão

Post-scriptum: O primeiro parágrafo contem um excerto da Carta de Pero Vaz de Caminha.

05/10/07

Bob Cacet I

Amostras de uma existência na grande cidade…

O meu vizinho Bob tem sempre estórias para contar – seja a vez que saltou de um comboio em andamento, as deambulações por Paris ou a decadência de tempos idos. Não resisto a fazer dele personagem deste blogue pois não deixa de ser curioso o que ele me vai contando.

O Bob trabalha no showbiz e na sua vida não há grandes rotinas pois os dias sucedem-se por entre as exigências do momento e/ou ao sabor da corrente. Chegámos a Tóquio na mesma semana e por cá andamos desde então. Hoje almoçámos juntos e falámos destes últimos dias.

Não resisto em descrever o dia de ontem do Bob. A sua manhã começou com o estudo do Japonês e uma exibição de pintura Holandesa em Roppongi. Seguida de um almoço ao som de música Persa, da gastronomia Iraniana e da companhia do trio PHL. Mas como também há que trabalhar, lá rumou ao seu estúdio (perto de parque de Ueno) para descobrir que o PC tinha avariado com a chávena de café que lhe tinha caído em cima no dia anterior. Uma rápida substituição de PC e discos rígidos permitiu-lhe seguir em frente para, na companhia do sexteto PHELMA (E = Eu), terminar o dia saltitando por entre a energia orgasmica das livrarias e bares de Shibuya. Encerro esta pequena missiva com uma nota positiva para a L que estava de arrasar com o seu visual psicadélico e atitude habitual.

Hoje, antes de irmos almoçar, o Bob apareceu-me aqui em casa vindo dos banhos públicos que estão mesmo aqui ao lado. Também eu lá tenho ido e garanto que vale a pena.

Post-scriptum: Os banhos públicos são muito populares no Japão e são subsidiados pelo governo Japonês. Lá dentro somos todos iguais, todos nus em prol do bem-estar corporal. Ora bem, imaginem um complexo, pequeno ou grande, de massagens, jacuzzis, saunas e piscinas de águas vulcânicas. Muitas vezes têm áreas no exterior onde podemos estar nus sob a chuva, neve ou sol enquanto saltitamos de piscina em piscina. Cada piscina (entre 4 a 9m2) está a uma dada temperatura ou com uma dada combinação de minerais. Kimochi! (que bom!)

04/10/07

Outono 2007

Sente-se uma mudança no ar e os céus azuis, as temperaturas amenas e uma certa melancolia indicam que o Outono está a chegar. A cidade maquilha-se de azul cândido, amarelo solarengo e castanho Outonal onde eventos, pessoas e oportunidades se sucedem num rodopio vertiginoso.

01/10/07

Summa cum laude

Yoyogi-koen, Tóquio - Abril de 2007

Rodeado de verde e silêncio, este jovem ensaia alguma actividade minimalista numa urbanidade que se revela calma sob o despertar da manhã. Juntando-me a ninguém assisto aos seus movimentos rituais e questiono-me sobre o significado que encerram. Ele continua impávido à minha presença e a máquina fotográfica parece não o incomodar, afinal de contas, eu sou a audiência...

28/09/07

Filão vulcânico

O parque de Yoyogi Koen revela-se um filão inesgotável de liberdade e diversidade que fluem em espasmos vulcânicos. Aquilo que é estranho aqui depressa deixa de o ser e esse mundo passa a ser nosso. Ao fim-de-semana, a liberdade concentra-se aqui e tristes são aqueles que passam de empreitada e ajuizam montados no seu dogma.

26/09/07

Hanabi

Por entre o desfilar do verão, quando a humidade se cola ao corpo e as cigarras zumbem dia e noite, surgem as famosas Hanabi de Agosto. Nestes festivais de fogo-de-artifício, sob o mote da tradição e da socialização, vastas multidões se juntam numa volúpia colectiva (por vezes números a rondar o milhão). É então que as margens de alguns rios e algumas colinas se vêm invadidas pelo colorido da pólvora e das Yukatas (variante simples do Kimono).

Nos estados febris que acompanham esses momentos, fechando os olhos e ao sabor de essas Yukatas, imagino as Hanabis, os mercados e as pessoas da antiga Edo (Tóquio). Alguns segundos depois tudo termina, a humidade regressa e mais uma explosão de cor se avista.

Fotografias tiradas num festival algures junto à linha Odakyu a 4 de Agosto

29/08/07

Povo que lavas no rio

A vida tem-se revelado uma corrente incessante de casualidades cósmicas e, num quotidiano em ebulição constante, vários escritos estão na calha. Para breve!

Falando de tribos
/povos, não há margem para dúvidas que ser Português é ser de boa cepa e, vivendo numa Babel, cada vez estou mais seguro disso. Nós temos conteúdo e não me venham falar das vacas dos vizinhos.

O meu bem-haja a
D. Afonso Henriques, ao Infante Dom Henrique e a todos os que têm praticado o bem por Portugal.

11/08/07

BabelFish em acção

Mais algumas das jóias linguísticas dos programadores da Konami:

1) É meta total que enfileira por jogadores sucessivos.
2) É a informação de seu time para 15 estações no passado.
3) O número das metas lista muitos jogadores de alto-posição.

09/08/07

Sociologia

Num bar, galinheiro, escola ou savana observa-se um padrão social fascinante - animais humanos e não humanos unidos numa cadeia alimentar. Mantenham-se atentos.

06/08/07

modus operandis

A experiência na Konami revela-se uma saga e às vezes o seu modus operandis é anedótico.

Atribuiram 4% das traduções a uma outra pessoa que nos mimou com os seus "escanteios", "zagueiro", "time", "gol", "emparelhamento de equipas" e um conhecimento gramatical digno de um arrumador de carros.

Ultrapassada esta dificuldade, na eventualidade rara de ter condições de trabalho, surgem as exigências dos programadores (ex: escrever "semi-automático" com duas letras, "internacional" com uma letra, obrigatoriedade de usar conceitos como "botões de direcções" em vez de "botões de movimento", reduzir frases mesmo quando o seu significado se desvanece, etc.). E são os mesmos programadores que, de vez em quando, me pedem para corrigir os textos que obtêm no babelfish. Que fariam se vos pedissem para corrigir o seguinte texto?

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<【#LCM1_W_164】>
Condição é ajustada.
Até mesmo se executar ajuste de condição, condição não faz se tornado bom necessariamente certamente. É total ajude posição por jogadores sucessivos.
Além disso, como o grau de fadiga aumentará se ajuste de condição é executado, o intenso jogador de fadiga pode ser prejudicado.
O jogador cujo ajuste de condição é desnecessário precisa remover um cheque.
Jogador com uma condição em cume não fica melhor.

03/08/07

As noites da Gardunha

Os astros sempre nos fascinaram e há vários milénios que influenciam a acção humana. Quiçá o verdadeiro Deus seja esse desconhecido...

De pequeno queria um telescópio para explorar os céus mas fiquei-me pelo olhar nu que, mesmo assim, preenchia as noites passadas no seio da Gardunha e, agora que estou longe, lá vou mitigando saudades ao sabor do Stellarium.

Ainda retenho algumas dessas paisagens estelares mas como escutar o vento que desce o vale, o marujar do ribeiro e os sons que a noite traz consigo?

Post-scriptum: A Gardunha foi baptizada pelos Árabes, significa refúgio/abrigo e é nesse refúgio que quero escrever um livro.